sexta-feira, 27 de maio de 2011

Liberdade; mercadoria falsa?


    O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) proibiu nesta sexta-feira a Marcha da Liberdade, programada para ocorrer na tarde deste sábado na região central da capital. Em decisão do desembargador Paulo Rossi, o tribunal estende os efeitos da medida que proibiu a Marcha da Maconha na semana passada afirmando que o novo movimento é a reedição do anterior sob outro nome. Dessa forma, os argumentos que embasam a nova decisão do TJ-SP são os mesmos: a passeata faria apologia ao crime e incitaria o uso de drogas. 


    O advogado Raul Ferreira, que representou os organizadores, mostrou-se preocupado com os efeitos da nova proibição. "Com uma decisão dessas, corre-se o risco de se produzir mais violência", afirma o advogado. Na semana passada, diante da proibição da Marcha da Maconha, os manifestantes resolveram marchar pela liberdade de expressão e foram reprimidos pela Polícia Militar (PM), com uso de bombas de efeito moral, gás pimenta e outras armas não letais.

    A violência do confronto levou o governador Geraldo Alckmin condenar a ação policial e o comando da PM afastar dois tenentes por excessos. A Guarda Civil Metropolitana também abriu investigação para apurar a conduta dos guardas.

    Não é exagero classificar tal atitude do desembargador como arrogante, autoritária, antidemocrática e violenta. O direito de questionar, de pressionar por mudanças, de ocupar as ruas, não pode nunca ser suprimido, nem por decisão dos ilibados togados. Quem prega a concordância automática ou a impossibilidade de se questionar as leis no espaço público não pode ser menos que um fascista. Vivemos em um país realmente democrático onde somos oprimidos e de certa forma castigados apenas por exprimir nossas idéias e ideais? vivemos em um pais que atitudes como a do desembargador faz com que tenhamos medo de exercer nossos direitos e de lutar pelas nossas opiniões. Não foi possível adotar uma postura de imparcialidade, porem o tema que desejava abordar, creio eu, foi bem explicito, a questão da liberdade. Conseqüentemente disso eu concluo e pergunto ao leitor; somos livres? tens coragem de mostrar suas opiniões e lutar por elas depois de tal ocorrido? Não pergunto se apóia ou não a marcha da maconha, mas sim a marcha da liberdade e dos objetivos que ela visa. Não apresenta em seu interior uma chama de ira e ódio quando somos impedidos de fazer aquilo que desejamos?
    Como certo pensador uma vez disse; Não há dor pior do que aquela que provem da nossa vontade que foi impedida". Mas uma coisa anima meu ser e me motiva positivamente e não há frase melhor que represente isso do que a famosa frase dita pelo Che guevara: Os poderosos podem destruir uma, duas, até três rosas, mas jamais poderão deter a primavera.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Escolaridade x Preconceito

    A escolaridade é um dos fatores que mais influenciam o nível de preconceito da população em relação a homossexuais: quanto mais anos de estudo, maior é a aceitação do indivíduo em relação à diversidade sexual. É o que aponta pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo e coordenada pelo professor da Universidade de São Paulo (USP) Gustavo Venturi. O estudo, com 2 mil entrevistados em 150 municípios, foi feito em 2009 e transformado em um livro que será lançado em junho.

    A pesquisa identificou que um em cada quatro brasileiros é homofóbico. Foram considerados homofóbicos aqueles que têm tendência – forte ou fraca - em transformar o preconceito que sentem em relação a esse público em atitudes discriminatórias. Esse perfil foi detectado a partir da resposta dada aos participantes a perguntas como “homossexuais são quase sempre promíscuos”, “homossexualidade é safadeza” ou “a homossexualidade é uma doença que precisa ser tratada”.
    Cruzando as respostas obtidas com as características da amostra, foi possível detectar, por exemplo, que mulheres são menos homofóbicas (20%) do que os homens (30%) e que a variação de renda não tem grande impacto nesse comportamento. Já a escolaridade é um dos fatores com mais peso: enquanto entre os que nunca freqüentaram a escola o índice de homofóbicos é 52%, no nível superior é apenas 10%.
    “Esse efeito não é porque o assunto [a homossexualidade] esteja nos programas pedagógicos. Se  estivesse, o efeito seria maior. Mas o simples fato da convivência com a diversidade nas escolas faz com que isso se reflita em taxas menores”, explica Gustavo Venturi.
    A pesquisa também entrevistou cerca de 500 homossexuais para investigar de que forma eles são vítimas de preconceito. Metade (53%) já se sentiu discriminada e os colegas de escola aparecem como segundo autor mais frequente dessa prática, depois de familiares. Quando perguntados sobre a primeira vez em que foram discriminados, a resposta mais frequente é "na escola".
    A religião também influencia na aceitação da população LGBT  [lésbicas, gays, bissexuais e travestis]. Entre os evangélicos, 31% têm tendência a comportamentos homofóbicos, contra 24% dos católicos, 15% dos praticantes do candomblé e 10% dos kardecistas. Além do acesso à informação e da freqüência à escola, Venturi aponta como estratégia importante para o combate à homofobia uma legsilação específica que coiba esse comportamento, como já existe com o racismo.
    “Quando a legislação vem, já reflete uma maturidade da sociedade. Depois, ela vai atuar de forma preventiva entre aqueles mais resistentes. Mesmo que digam que a pessoa não vai mudar seu pensamento, ela só vai se preocupar em não ser punida, isso do ponto de vista da reprodução do preconceito é importante. Para ser reproduzido, o preconceito precisa ser dito e se você diminui os espaços sociais para que isso ocorra ele vai ter uma reprodução menor e tende a diminuir” diz Gustavo Venturi.
    Mas sera mesmo que apenas a escolaridade influencia na questão do preconceito? quantas pessoas estudadas que ainda admitem uma postura preconceituosa? E você meu caro leitor, como reage a tal discussão e a tal afirmação? Aceita, tolera ou rejeita?

terça-feira, 24 de maio de 2011

Dividir para conhecer

    Em nossa ultima postagem foi comentado, em determinada parte, uma teoria interessante que apareceu como uma afirmação. Porém foi tão rapida sua passagem que nem foi possivel trabalha-la a fundo e como julgo interessante, porque não trabalhar agora... 
    O que não é quantificável é cientificamente irrelevante, é assim que Boavntura argumenta seu texto quando define a diferença entre as ciencias. Mas o que poderíamos extrair dessa ínfima frase? Certa vez me aventurei a estudar independentemente uma cteoria da psicologia, o nome dela? Gestalt
   Exatamente por ter estudado ela que me deu mais trabalho ainda para aceitar o que essa frase dizia, mas o que ela diz? No que se refere a "dividir", esse dividir consiste no próprio real, dividi-lo para assim entende-lo ou seja dividir para depois conhecer.
   Uma outra corrente da psicologia trabalhava o que essa frase afirma, eles desejavam objetivar tudo, acabar com toda e qualquer subjetividade que algo trazia, querendo simplificar as coisas. Ainda parece muito distante do leitor? imaginamos então o seguinte; um determinado individuo era colocado em uma sala e diversos objetos eram para ele apresentados e perguntava a ele o que era aquilo, utilizando um exemplo em especial vamos pegar um livro, o individuo precisava responder de maneira objetiva. Couro, folhas, e letras nem sempre eram respostas aceitas pois de um único objeto ele surgia com mais três... a objetividade então desejava simplificar e dividir as coisas ao máximo, difícil  mas não impossível. Mas e se estendemos isso para a realidade?
   É o que a gestalt propunha. Por exemplo, será que é possível dividir uma paisagem que observamos? um quadro? uma foto? Imagine uma paisagem, sol, arvores, lago, grama e porque não animais... Não é a totalidade, cada uma dessas partes que compõe o que você vê, alias imaginou?
   Um quadro, um quadro se resume apenas a combinação de cores de tintas? não essas tintas, as pinceladas, e até mesmos os borrões que vão dar origem a uma nova figura? repartir, dividir não acabaria com a figura formada?
   É exatamente isso que a gestalt defendia, não observamos a realidade dividida, mas ela como um todo, nas próprias palavras dessa teoria; "o todo é mais que a soma das partes".

                                      Um cálice ou dois rostos?
                                   
                    Um exemplo perfeito de que não vemos cada figura em separado, mas a imagem como um todo.


    As ilusões de óptica retratam de forma simples o que a gestalt defendia, não é possível dividir a realidade, pois ela é mais do que as somas das pequenas partes que o compõe. O todo é maior que a soma das partes.

sábado, 21 de maio de 2011

As ciências não-exatas


    Estava lendo um texto, "Um discurso sobre as ciências na transição para uma ciência pós-moderna" de Boaventura de Sousa Santos, e não pude deixar de dirigir minha atenção a um ponto que julgo interessante e sem duvida instigante para uma discussão ou simplesmente curioso.
    O ponto que saliento aqui é, como o próprio autor afirma, a divisão das ciências, entre humanas e exatas e onde o pensamento dele nos leva a partir dai. Boaventura inicia seu discurso dividindo elas em como eram divididas a muito tempo atrás, uma divisão que infelizmente ainda hoje alguns acreditam que ainda exista; a precisão de cada uma delas.
    Como é de se esperar as ciências exatas (que se compreendem em matemática, física e outros gêneros desse tipo no que diz respeito a uma certa experimentação e obtenção de dados) como o próprio nome ja diz eram vistas como ciências exatas, ou seja de alto grau de precisão, dando ao estudioso dados fieis a realidade e aquilo que é estudado sem a menor dúvida. Por muito tempo se acreditou nessa divisão, mas se ela mudou ou não isso é assunto que ainda vamos chegar.
    E o que sobra, as ciências humanas; nesse caso compreende a sociologia, psicologia (quando teoria e não experimentação), filosofia e outras ciências que tem como seu objeto de estudo o gênero humano. O que faz ela não ser exata é exatamente esse ponto, por ter o homem como objeto de estudo ela não pode ser exata, pois diferente das demais ciências exatas não é possível chegar a uma conclusão observando o individuo de fora. A mente humana é complicada demais para ser reduzida a dados empíricos, o que se passa dentro dela é complexo e obscuro demais.
   Nas próprias palavras do autor "O que não é quantificável é cientificamente irrelevante" isso definine bem o "desprezo" pelas ciências humanas.
    Mas o que aconteceria se a própria exatidão das ciências exatas fossem questionadas?? A não aceitação das ciências humanas como ciência de verdade  e construída pelo próprio significado que as ciências exatas leva. Se as exatas  fossem questionada a própria ciencias humanas poderia ser revogadas como ciência.
    E não demora muito para tal acontecer. Com inúmeros exemplos Boaventura demonstra como que as ciências exatas foi perdendo pouco a pouco seu posto de exatidão. O teorema da incompletude ou não completamento abalando as certezas matemáticas e o surgimento da física quântica que modificava totalmente a maneira como se via e analisa as coisas foram suficiente para pelo menos abalar a certeza dessas ciências que se julgavam exatas.
    Com a certeza abalada a ciências humanas podem assim lutar para serem aceitas como estudo de certa forma preciso ou científico.
Porem Boaventura trabalha muito mais além disso chegando a sugerir uma nova visão de ciência. Porem por mais que fosse interessante discursa-lo aqui sem duvida o autor precisaria antes ter uma mínima noção do que é dito no texto para assim, apenas depois disso, ser possível uma discussão. E por mais que é interessante, mesmo sendo trabalhado aqui se tornaria uma postagem trabalhosa para quem a faz e cansativa para quem a lê.... mas isso se for feita em uma só postagem e temos muitas mais ainda para serem feitas e tempo de sobra para cria-las com muitos outros temas que podem ser abordados. Até la convido o leitor apenas ler o texto que esse sociólogo, Boaventura, fez.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Bem vindo

    Ágora era a praça principal na constituição da pólis (a cidade grega da antiguidade clássica). Normalmente era um espaço livre de edificações, onde as pessoas costumavam ir configuradas pela presença de mercados e feiras livres. A Ágora manifestava-se como sendo o espaço público por excelência. É nela que o cidadão grego convivia com o outro para comprar coisas nas feiras, onde ocorriam as discussões políticas e os tribunais populares:era, portanto, o espaço da cidadania.
    Hoje ninguém mais vai a praça para discussões políticas, ou mera conversa sobre algum acontecimento, salvo é claro algumas poucas exceções, mas mesmo que existam ainda esses espíritos "filosóficos", a reunião na praça é hoje algo praticamente extinto.
    Muito mais fácil do que se reunir na praça para discussão de algum problema ou acontecimento, debate-lo ou discuti-lo na internet é muito mais pratico, vantajoso e com certeza mais confortável.
    Não há outra maneira de descrever melhor esse Blog do que compara-lo com as antigas Ágoras Gregas, com a mesma finalidade porém muito mais cômodo. Idéias, noticias e opiniões serão aqui postadas com a finalidade de discussões e debates nos comentários. Revivendo o antigo espírito grego, ou simplesmente provocando os leitores para que se exaltem e escrevam alguma coisa.... Chega de ser passivo a tudo que ocorre a sua volta. Pense, questione, mude.