sexta-feira, 17 de junho de 2011

Ler devia ser proibido

                Mais um título para nossa seção de títulos chamativos com o objetivo de forçar o leitor a ler.
                Certa vez reunido com os amigos, se o leitor me permite a sinceridade, no bar e como de costume colocando em “prática” o que aprendemos em nossas aulas com discussões amistosas, foi impossível não chamar a atenção de um determinado individuo que não agüentou tal frase que um de nós havia proferido a saber; Como é possível chegar á faculdade sem nunca ter ao menos lido uma obra literária,dizia ele, que precisávamos ter lido Shakespeare, Fernando Pessoa, e não somente isso, mas obras de profunda reflexão filosófica como Platão, Descartes ou até mesmo Nietzsche.
                Eis que surge o indivíduo que citei há pouco. Ele se introduziu em nossa conversa já com a pergunta pra que ler Platão? Shakespeare, ou poemas? Eu que acompanhava toda a discussão calado foi difícil não se conter. Porém nem foi preciso, àquele que tinha afirmado que precisávamos ler já o interrogou perguntando “por que não ler?”, mas apenas isso não era suficiente, então perguntou também o que ele estudava e o “anti-leitura” respondeu com prepotência e arrogância; Engenharia.
                Resumindo tudo para não abusar do tempo do leitor, a discussão não teve uma conclusão, o indivíduo em questão foi embora sem dar a menor importância para o discurso em defesa da leitura que todos daquela mesa tinham a dar.
                Mas analisando-o e partindo unicamente dele, não é muito difícil chegar a uma conclusão de porque a maioria das pessoas não lêem ou não gostam de ler.
                O mundo de hoje pede praticidade, e, não que um livro não tenha nada de prático, mas sua praticidade vem de maneira mais lenta do qualquer coisa. Um livro leva tempo para ser lido, um livro não é fácil, pois é preciso prestar atenção em detalhes ao invés de simplesmente esperar o som chegar a seus ouvidos como acontecem com filmes, televisões, rádios, etc.
                E estou falando de um livro que pode ser lido em uma semana, um “romance da moda”, nem ousei dar como exemplo “A republica” de Platão, “Meditações” metafísicas de Descartes ou até mesmo “A crítica da razão pura” de Kant.
 Esses que acabo de citar são de complexidade infinitamente maior, e se a maioria das pessoas se recusam a lerem as meras legendas de um filme então nem desperdiçarei meu tempo tentando convencê-las a correr atrás do mínimo grau de instrução ou até mesmo de conhecimento.
                Para falar a verdade de prático a leitura não tem quase nada, mas a leitura carrega consigo palavras que por sua vez carregam idéias, “idéias que lançadas à mente produz ondas de superfície e de profundidade, provoca uma serie infinita de reações em cadeia, agitando em sua queda imagens, analogias e recordações, significados e sonhos”. Uma leitura requer tempo, e tempo é o que menos se tem hoje em dia, não é verdade? Gastamos todo nosso precioso tempo que temos para ligar a televisão, usar a internet, assistir novelas; filmes ou seriados, ouvir musicas... Espere, realmente não temos tempo?
                Talvez não seja o tempo o real motivo de não lermos, mas sim nossa total falta de interesse, e de que é muito mais divertido e prático fazer outras coisas. Mesmo que uma delas seja dormir o dia todo, se afogar em álcool, ou passar o dia todo na internet sem ao menos buscar algo realmente interessante.
                Para finalizar concluo com um vídeo fantástico que, de maneira irônica, informa a utilidade da leitura.


                                  

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